No último sábado, dia 11 de março, o Juiz Paulo Assed Estefan, titular da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, determinou o fim do sigilo que envolvia os processos relacionados à recuperação judicial da Americanas. Além disso, o magistrado permitiu o acesso público às informações referentes ao financiamento especial que a rede de varejo busca, conhecido como DIP.

A decisão do juiz autoriza a consulta às informações obtidas pela Preserva-Ação Administração Judicial, do advogado Bruno Rezende, e do Escritório de Advocacia Zveiter, que tratam das inconsistências contábeis apresentadas pelo Grupo Americanas. A medida visa promover a transparência e permitir um melhor entendimento dos fatos envolvidos no caso.

O financiamento DIP, que é destinado a empresas com problemas financeiros, também teve seus detalhes liberados para consulta pública. Em fevereiro deste ano, a Justiça do Rio aprovou um empréstimo de R$ 2 bilhões para a Americanas, com a participação dos acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, que se comprometeram a aportar R$ 1 bilhão. O restante seria obtido no mercado, mas até então, os detalhes estavam sob sigilo.

Recentemente, o trio de acionistas elevou o valor da capitalização que planeja fazer na rede, para R$ 10 bilhões, incluindo o financiamento DIP. No entanto, os bancos ainda não chegaram a um acordo, pois buscam uma quantia maior, em torno de R$ 15 bilhões.

O juiz Paulo Assed Estefan justificou sua decisão de abolir o sigilo, levando em consideração o “relevante interesse econômico e social envolvido” na recuperação judicial da Americanas. A empresa anunciou em janeiro deste ano um prejuízo de R$ 20 bilhões e uma dívida que supera R$ 40 bilhões.

Além disso, o magistrado determinou que o cartório da 4ª Vara Empresarial faça o cadastro de todos os advogados habilitados pelos credores do Grupo Americanas, para que possam ser intimados e acompanhar as decisões proferidas nos autos do processo de recuperação judicial.

Até o momento, a Americanas não se manifestou sobre a decisão da Justiça carioca.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *