O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) indicou no sábado, 17, que já antevê uma derrota no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no julgamento agendado para a próxima quinta-feira, 22, que decidirá sobre sua inelegibilidade por oito anos devido ao abuso de poder político e dos meios de comunicação. Segundo Bolsonaro, “os sinais não são favoráveis”, porém ele mantém-se “sereno” em relação ao desfecho da votação, pedindo calma a seus aliados.

“Não vamos nos desesperar com qualquer que seja o resultado. Obviamente, não desejo perder os direitos políticos. Desejo continuar vivo, contribuindo com o país”, afirmou Bolsonaro. “Atualmente, enfrentamos esse problema. Até mesmo uma condenação de inelegibilidade por ter me reunido com embaixadores antes do período eleitoral. Lidaremos com isso agora, no dia 22. Já sabemos que os indícios não são favoráveis, mas estou tranquilo”, prosseguiu o ex-presidente, durante um evento de filiação de prefeitos ao PL na cidade de Jundiaí.

Bolsonaro é acusado pelo PDT de divulgar informações falsas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas a embaixadores durante a campanha eleitoral do ano passado.

A ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) apresentada pelo partido contra o ex-presidente alega que ele se valeu da estrutura do Palácio da Alvorada para tentar convencer embaixadores de que as eleições brasileiras seriam fraudadas.

O desfecho do julgamento pode torná-lo o primeiro ex-presidente a perder os direitos políticos por decisão da Justiça Eleitoral, resultante de crimes cometidos no exercício do mandato.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, chegou a ficar inelegível devido a condenações pela Justiça comum no contexto da operação Lava Jato, o que o enquadrava na Lei da Ficha Limpa.

Anos depois, no entanto, as condenações de Lula foram anuladas pelo STF, que considerou a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar o caso e o ex-juiz Sergio Moro parcial em sua condução.

No sábado, Bolsonaro insinuou novamente que as eleições do ano passado, nas quais saiu derrotado para o presidente Lula, não ocorreram de forma adequada. “Houve as eleições, que eu acredito que todos possam questionar, mas não é permitido questionar ao STF e ao TSE. Não se pode falar nada sobre eleições. Eu acredito que se possa, mas não podemos dizer nada. Acredito que seja uma página virada”, disse.

Bolsonaro convocou seus apoiadores a se organizarem para as eleições municipais do próximo ano e também para a disputa nacional em 2026, que, segundo ele, ocorrerá de forma mais “serena”. “Em 2026, haverá uma nova composição do TSE. O presidente será Kassio Nunes e o vice será André Mendonça. Eu os indiquei.

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